Cooperativismo de trabalho gera renda, cria oportunidades, mas fica à margem dos debates da reforma

25.05.2017

O cooperativismo é um poderoso agente para a criação de novos empregos e desenvolvimento da economia

 

 

No Brasil, em tempos de crise como a atual, o desemprego tem aumentado consideravelmente em todos os segmentos da população e em praticamente todos os estados. Estima-se em 13 milhões o número de desempregados. Isso traz um ambiente de incertezas entre os jovens que chegam ao mercado de trabalho e em centenas de milhares de famílias, segurando o consumo e travando o aquecimento da economia. Mas, o que fazer para que pessoas tenham alguma renda? O cooperativismo em todos os seus ramos, e de modo especial no ramo trabalho, pode ser uma ferramenta poderosa e rápida para enfrentar e reverter essa situação.

 

Segundo a Dra. Juliana Ferreira, advogada do Sindicato das Cooperativas de Trabalho no Estado de São Paulo (SINCOTRASP), "a contribuição do cooperativismo é exatamente gerar trabalho e renda para quem está fora do mercado". Em entrevista à EasyCoop, ela ressalta que as cooperativas não visam ao lucro como as empresas. "Acima de tudo, valorizam o ser humano. Diferentemente do sistema capitalista, que tem como princípios o capital e o lucro, no cooperativismo os princípios são baseados principalmente na democracia, na autonomia e na inserção social, valorizando os sócios cooperados não apenas no trabalho, mas trazendo melhorias na condição de vida também de suas famílias e das comunidades em que vivem".

 

Portanto, o cooperativismo, e principalmente o de trabalho, é preciosa ferramenta para garantir trabalho e renda a milhares de pessoas. Mas, apenas haver consciência dessa realidade não levará a nenhuma mudança. É necessária a compreensão, nas diversas esferas da sociedade, da importância do cooperativismo para o país, inclusive no Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

 

"O governo federal precisa entender primeiro o quanto o cooperativismo é importante e responsável pela a geração de postos de trabalho, renda e melhoria das condições de vida dos brasileiros. Com esse entendimento, pode contribuir na formação de seus quadros e na informação da população, que precisa saber o que é e como funciona o cooperativismo. Muitas vezes realizamos atividades coletivamente. Só não somos informados que isso é cooperativismo e que podemos formalizar essas relações seja de trabalho, consumo, educação ou crédito. Precisamos de incentivo dentro do cooperativismo, principalmente no que se refere à regulamentação de leis e ao recolhimento de tributos, que consomem uma grande fatia dos ganhos das cooperativas no Brasil", diz Juliana.

 

Quando falamos em apoio do governo, deve-se citar a Lei 12.690/12, que normatiza o funcionamento das cooperativas de trabalho, mas que ainda não foi regulamentada. Um dos artigos da Lei é voltado ao Programa Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho (PRONACOOP), que será controlado pelo Ministério do Trabalho e que tem como objetivo promover melhorias e desenvolvimento das cooperativas de trabalho. Pouco foi feito até agora. Esse programa permitiria que as cooperativas gerassem ainda mais postos de trabalho.

 

De acordo com o advogado Waldyr Colloca, a reforma trabalhista, no frigir dos ovos, não vai ser muito produtiva para as cooperativas de trabalho. O setor já tem uma legislação que está sendo ignorada e vai acabar também, na prática, sendo ignorado no dia a dia. "A Lei precisa de regulamentação para que as cooperativas e seus cooperados consigam o apoio necessário ao expresso na referida Lei", enfatiza a Dra. Juliana. Com certeza, o cooperativismo de trabalho e os demais ramos são a opção para enfrentar o desemprego, mas é necessário que sociedade conheça o modelo cooperativista e que o Poder Público contribua para o seu desenvolvimento.

 

Divulgação impulsiona a expansão na Espanha

 

Cooperativismo de trabalho gera postos de trabalho. A Espanha comprova a afirmação. Em 2016, as cooperativas de trabalho espanholas geraram 13.429 postos de trabalho. Pode parecer pouco, principalmente se compararmos o número com a quantidade de desempregados que temos no Brasil, mas isso mostra o quanto esse ramo do cooperativismo é promissor.

 

E como a Espanha conseguiu esse resultado? Com a divulgação do modelo cooperativista por todo o país. "Estamos criando novas empresas, devido a um amplo trabalho de promoção e difusão do modelo cooperativo que levamos para cada canto da Espanha", explicou Juan Antonio Pedreño, presidente da Confederação Espanhola de Cooperativas de Trabalho Associado (COCETA). E a tendência, segundo Pedreño, é de crescimento sustentado, desde que se continue a promover o setor em toda a Espanha. É um bom exemplo de como o cooperativismo ajuda as pessoas a conseguirem trabalho e renda.

 

Fonte: Terra

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