Transformação Digital e Inovação

22.09.2017

Só acontecem quando a cultura muda

 

 

A sociedade de consumo está mudando. A forma como as pessoas pensam, pesquisam e adquirem produtos e serviços não é mais a mesma. Muitas já nem fazem questão de ter a posse de carros, casas, bicicletas e computadores; querem compartilhar, dentro de uma perspectiva de uso mais inteligente, econômico e eficiente dos bens. Isso não é o futuro: já está acontecendo.

 

Para uma startup que nasceu agora, 100% digital e alinhada com essa nova forma de pensar e agir do mercado, é um mundo de possibilidades que se abre. Mas, como ficam, nesse movimento, as corporações tradicionais, com décadas de atuação e acostumadas com um mesmo modelo de demanda e oferta, com ativos espalhados por unidades espalhadas pelo País, milhares de funcionários, parceiros e fornecedores? Possivelmente em maus lençóis, se não começarem desde já a repensar suas operações. "Toda indústria, mais cedo ou mais tarde, vai ser tocada de alguma forma pela transformação", comenta o CEO da Litteris Consulting, Cezar Taurion.

 

Um dos grandes equívocos dos empresários em cenários disruptivos como o atual, comenta, é pensar linearmente. Ou seja, a companhia está há 60 anos no mercado, passou por todos os tipos de crises possíveis e impossíveis e continua firme. Logo, deveria ser assim no futuro também. Porém, dentro desse raciocínio, não se dão conta que, talvez, os próximos dois anos sejam mais impactantes do que as últimas décadas.

 

É fácil ilustrar esse cenário de mudança e mostrar como ele pode ser devastador. Uber, AirBnB, Neftlix e WhatsApp são exemplos recentes disso. Essas operações surgiram com uma proposta diferente de venda de serviços tradicionais e começaram a incomodar, e muito, taxistas, redes de hotéis, operadoras de TV por assinatura e de telefonia. Antes disso, a própria indústria fonográfica havia sido massacrada pelos movimentos de digitalização da música e, agora, em muito pouco lembra o formato das transações praticadas nas décadas anteriores.

 

"Estávamos todos muito bem, competindo dentro de um modelo estabelecido, mas estão aparecendo novas formas de praticar esse jogo. Vai sobreviver a essa seleção natural quem melhor conseguir se adaptar e resistir às pressões", destaca o vice-presidente de Digital Enterprise Platform Group CoE da SAP Brasil, Valsoir Tronchin.

 

As portas, literalmente, poderão se fechar para muitos players que estão acostumados com uma forma de atuação completamente diferente do que se avizinha. "É um movimento no qual as empresas têm que ter coragem de ir abdicando de quem elas são, mesmo que agora isso ainda esteja dando certo", sugere o presidente do Grupo Processor, Cesar Leite. E isso vale para mercados como o automobilístico, varejo, educação, financeiro e agronegócios - apenas para citar alguns.

 

Dentro dessa nova perspectiva, a Stara, uma das maiores fabricantes de máquinas agrícolas do País e a SAP, gigante global de software, apresentaram ao mercado um produto de uma solução baseada na Internet das Coisas (IoT). Com o protótipo, o agricultor pode monitorar on-line e em tempo real os processos de plantios (como quantidade de sementes), de preparo, adubação e correção do solo, pulverização e colheita. O sistema foi desenvolvido pela empresa em parceria com o SAP Labs Latin America, que fica em São Leopoldo.

 

O diretor de P&D da Stara, Cristiano Paim Buss, faz questão se ressaltar que esse projeto não é fruto de uma visão pontual. "Essa transformação digital não acontece apenas em produto, mas na cultura da empresa que entendeu que não quer ser uma transformadora de commoditie e, sim, agregar conhecimento em produtos".

 

Fonte: Jornal do Comércio

 

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