Cooperativa obtém resultado melhor em inadimplência

01.11.2018

No último ano, o Sicoob apresentou aumento da carteira de crédito e diminuição da taxa de inadimplência entre pessoas jurídicas

 

Embora o nível de inadimplência em geral ainda esteja bastante elevado no que se refere a empréstimos e financiamentos para empresas, as fintechs e cooperativas de crédito têm conseguido resultados melhores no controle do endividamento de pessoas jurídicas. Melhor análise de crédito, mais proximidade com os clientes e foco em produtos com garantias imobiliária ou produtiva são apontados como motivos para esse desempenho.

 

Enquanto a pesquisa mais recente da CNDL/SPC Brasil aponta para um aumento de 9% nos cadastros de empresas inadimplentes em agosto, na comparação com mesmo período do ano passado, cooperativas como o Sicoob apresentaram no último ano aumento da carteira de crédito e diminuição da taxa de inadimplência entre pessoas jurídicas.

 

A carteira de crédito do Sicoob, formada em 50% por empresas, registrou aumento de 22% em setembro em relação ao mesmo período do ano passado. No mesmo período, a taxa de inadimplência de 90 dias para pessoas jurídicas recuou de 4,04% para 3,41%, segundo Francisco Silvio Reposse Júnior, diretor de desenvolvimento e supervisão do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob). O crescimento da carteira de crédito, segundo ele, superou as expectativas da entidade para o ano, que girava entre 15% e 20%.

 

"A taxa de inadimplência para pessoa jurídica teve uma queda de 16% nos doze meses terminados em setembro. Entre os fatores que contribuíram para isso estão novas associações feitas, uma melhor análise de fluxo de caixa dos clientes e renegociação de condições de algumas operações", afirma Reposse Júnior.

 

Ele acrescenta que 90% da carteira de clientes pessoa jurídica da cooperativa é formada por pequenas empresas. O tíquete médio das operações gira em torno de R$ 15 mil. As duas principais linhas de crédito são capital de giro e desconto de recebíveis.

 

"Percebemos que entre o final de 2015 até meados de 2017 houve uma dificuldade muito grande entre as empresas, muitas delas procurando recuperação judicial. Mas a partir de então notamos uma pequena melhora. Importante ressaltar que houve uma queda acentuada da taxa de juros de lá para cá, o que ajudou empresas a liquidar algumas de suas pendências", diz. Ele destaca as empresas do meio rural também tendem a conseguir honrar melhor os compromissos por conta da queda de juros. Em junho, o governo federal anunciou queda de taxas e incentivos aos produtores dentro do Plano Agrícola e Pecuário 2018/2019.

 

De acordo com Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, apesar de o nível de inadimplência continuar em ascensão, o ritmo de crescimento do cadastro de devedores está um pouco menos acelerado do que no auge da crise econômica.

 

"Em agosto o cadastro de inadimplentes subiu 9%, mas no auge da crise, essa elevação chegava a 13%, 14%. A velocidade de crescimento já não é tão alta. Isso acontece porque a recessão já acabou embora a recuperação sólida da economia ainda não tenha começado", diz ela.

 

Kawauti destaca que quando se avaliam as dívidas por setor credor, observase que o de serviços apresentou maior alta, com crescimento de 9,7%. "Dentro do setor de serviços, 70% das dívidas são com bancos e instituições financeiras. Os juros ainda continuam bastante elevados, mas os bancos têm interesse em renegociar porque se não renegociarem não têm o dinheiro de volta", afirma ela.

 

Com operações exclusivamente digitais e foco no segmento de pequenas e médias empresas no segmento de pessoas jurídicas, o banco Inter registrou no segundo trimestre taxa de inadimplência de 90 dias de 1,4%. "Nossa estratégia é de focar em operações com garantias imobiliária e por meio dos portais de cadeia produtiva de grandes empresas como Petrobras, MRV e Rio Doce. Essa estratégia adotada há dois anos e meio fez com que nossa taxa de inadimplência caísse muito", afirma Marco Túlio, diretor vice-presidente banco inter.

 

Segundo ele, a carteira de clientes do banco entre empresas é composta principalmente por aquelas com faturamento anual entre R$ 10 milhões e R$ 300 milhões. "Em geral temos notado que as empresas têm conseguido honrar seus compromissos e que o pior da crise já ficou lá atrás. Não temos tido necessidade de executar garantias", afirma ele, acrescentando que entre os principais produtos de crédito estão o giro de estoque e desconto de duplicata.

 

Alguns grandes bancos, como o Santander, também têm registrado queda na inadimplência para pessoas jurídicas. Segundo Alexandre Teixeira, superintendente executivo do segmento de negócios & empresas do Santander Brasil, a carteira de clientes pessoa jurídica possui um índice de inadimplência de 2,4% (de atrasos de 15 a 90 dias) e de 1,7% (atrasos acima de 90 dias), segundo os dados mais recentes, de junho. "Esses números estão abaixo da média do mercado. Em junho de 2017, esses percentuais eram de 3,4% e 2%, respectivamente. Atribuímos essa evolução a ações preventivas e de orientação financeira junto a nossos clientes, além de uma política de riscos acertada", afirma.

 

Os portais de renegociação têm ajudado na recuperação dos pagamentos atrasados. "Nosso portal de renegociação está no ar desde o ano passado e facilita ao cliente porque funciona com horário estendido, incluindo sábados, domingos e feriados. Por se tratar de um canal digital, procuramos criar estímulos com condições mais competitivas. Nossa expectativa é atingir 20% de renegociações no curto prazo", diz Teixeira

 

Fonte: Valor Econômico

 

 

 

 

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